CRÍTICA | OS MISERÁVEIS



Imagem: Divulgação / Reprodução.
NOTA10.0
           
    Os filmes de gênero musical teatral sempre foram visto com meticulosidade; até onde foram cinema e até onde foram teatro. Os Miseráveis, por exemplo que é uma adaptação do musical da Broadway, teve 8 indicações ao Oscar, e trouxe grandes para as telas um time pesado, como Anne Hathaway, Hugh Jackman, Russell Crowe e Amanda Seyfried. E sem restar dúvida, chegou para mostrar e comprovar o que, de fato, são grandes atores e ao mesmo tempo, maravilhosos cantores.



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O filme realmente foi uma grande surpresa e satisfação. Hugh Jackman faz um dos papéis mais importantes e difíceis de toda a sua carreira. Arriscado em fazer algo que nunca foi visto antes, Hugh impressiona com toda a sua surpreendente habilidade de cantar em tantos tons diferentes e de maneira tão perfeita. Mas, não fica sozinho nesse time sublime. Anne Hathaway, mesmo com pouco tempo de aparição no filme, consegue provar com extrema maestria que é uma cantora lendária, além de ser uma atriz cativante. A cena na qual Anne canta o sucesso “I Dreamed a Dream” é espetacular; em todo o cinema é impossível que se tenha visto algo parecido. A cena é tão impulsiva, que é capaz de emocionar até o mais insensível.


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Samantha Barks emplaca, mesmo que por pouco tempo, grandes músicas que lhe pediram um esforço sem igual. Diferente do que muitos vêm achando, Eddie Redmayne, ora agudo, ora grave, toma inúmeras cenas para si, assim como o seu par romântico no filme, Amanda Seyfried que dá tudo de si, quase sempre num tom docemente agudo. Russell Crowe também surpreende, com sua essência e brilho. E não tem como não falar deles, Helena Bonham Carter e Sacha Baron Cohen, casal integrante do núcleo comediante do enredo, que fez uma participação mais que maravilhosa!


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Ainda sobram muitos elogios, afinal… Tom Hooper opinou por uma versão do musical alternativa e arriscada. Ao invés da maioria dos musicais onde os atores gravam as músicas antes e depois somente dublam, Hooper opinou por fazer com que os atores cantassem ao vivo, na hora da filmagem. Essa foi, sem dúvida, uma das escolhas mais inteligentes. Percebe-se a intensa emoção dos personagens quando estão cantando. A música não os atrapalha; pode haver improviso ou pausas necessárias… Vemos as veias do Jackman saltarem de sua testa, sua língua tremida e sua força vocal exuberante, assim como Anne, em sua cena marcante, onde sentimos todos os seus pesares em uma tomada única de Hooper. Os diretores técnicos do filme estão de parabéns. A arte é escandalosa, assim como a fotografia exacerbada ou os figurinos espetaculares…


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Outro aspecto que anda em discursão é o fato de falta de ritmo no filme ou até que ele não sirva como filme. Deve haver cinco ou seis frases faladas e o resto é música sem parar! Isso supõe que a ideia do filme nunca foi parecer um filme e sim, criar uma nova experiência nas salas de cinema, e criou. É como se estivéssemos em um teatro 2D; tudo imprime essa ideia: Os figurinos, os ambientes fechados e pequenos, a direção de arte, a fotografia, o roteiro e até as tomadas aéreas feitas por Hooper. Isso deixa de ser um aspecto negativo para virar um dos pontos mais altos do longa: A sensação de estarmos vendo um verdadeiro teatro, devido ao tamanho realismo nos atores. Os enredos e núcleos são típicos de um teatro – num teatro não há tempo para enrolar com cenas desprezíveis, assim, pulando instantaneamente de cenário para cenário, de personagem para personagem, sem que sejamos previamente avisados. Até isso foi mantido no filme para nos transmitir a certeza que a ideia sempre foi trazer um sentimento diferente ao assisti-lo.


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Digo com nitidez e confiança, que, “Os Miseráveis” é o mais profundo, comovente, intenso, formoso e cativante dos últimos tempos. As músicas são simplesmente maravilhosas. Se não as letras rápidas, mas os ritmos ficam soando na mente depois da sessão. Em Os Miseráveis, Tom Hooper consegue de maneira excelente, não só criar uma nova experiência, como também, fazer o telespectador trazê-la para fora do cinema.


O filme se passa no França do Século XIX e conta a história de sonhos desfeitos e amores não correspondidos, entre muitas outras lutas pela sobrevivência do espírito humano. No teatro, o Musical foi assistido por mais de 60 milhões de pessoas e traduzido para mais de 20 línguas.
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1 comentários:

  1. Vi duas vezes, chorei nas duas. Destaque para Anne Hathaway (impecável como Fantine, diga-se de passagem) cantando “I Dreamed a Dream” é de cortar o coração, e Hugh Jackman mostrando que, não só é um excelente ator como canta maravilhosamente e mais, sustenta quase todo o filme nas costas (e na voz).
    Pelo que soube, o filme foi amplamente criticado e acusado de ser longo demais, musical demais e talvez até um pouco pedante, mas discordo. Apoio a ousadia do diretor em contar a historia inteira musicalmente e concordo que a ideia de gravar as canções durante as cenas deu peso para as interpretações. Palmas para Tom Hooper, que tem no currículo o também aclamado "O Discurso do Rei"(pelo qual levou o oscar de melhor diretor).
    Teve quem não gostou, mas acredito que esses na verdade não entenderam muito bem a proposta, ou mesmo o valor da obra.
    O livro "Os Miseráveis" é permeado por questões políticas e filosóficas profundas que servem como pano de fundo pro enredo de Victor Hugo e o diretor foi feliz ao transmitir pelo menos parte dessa profundidade pro filme.
    A frase final de "I Dreamed a Dream" resume bem o espírito da obra: "Now life has killed the dream". A vida matou o sonho de todos eles. Val Jean, Fantine, Coset, Eponine, Javert, os revolucionários, todos eles tiveram seus sonhos destroçados de alguma forma... E mesmo o "final feliz" de Cosete e Marius parece um tanto agridoce em meio a tantos sonhos despedaçados.
    Acena final, emocionante em todo o seu surrealismo, encerra magistralmente a trama, deixando aquele nó na garganta, exatamente como devia ser.

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